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Prevenção ao câncer de mama vai além do Outubro Rosa, destaca mastologista

Raquel Fitarelli chama a atenção para o diagnóstico precoce através de exames para a adoção de hábitos saudáveis em todas as fases da vida.

  1. Publicado em 19/10/2026
Prevenção ao câncer de mama vai além do Outubro Rosa, destaca mastologista

Mês emblemático na conscientização acerca do câncer de mama, outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, que volta os olhos à importância do acompanhamento médico, da realização dos exames recomendados e da adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida. Dentro dessa perspectiva, a Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves destaca as orientações da médica mastologista Raquel Fitarelli, que chama a atenção para o diagnóstico precoce e para a necessidade de mulheres de todas as idades colocarem a própria saúde entre suas prioridades.

Embora a campanha tenha como principal foco o câncer de mama, a especialista ressalta que a saúde feminina precisa ser compreendida de forma integral. "No Outubro Rosa a gente acaba focando muito na saúde das mamas, no rastreio do câncer de mama, mas vai muito além disso. É quando pensamos também na saúde da mulher de forma integral", destaca. Para isso, Raquel enumera os cuidados que devem acompanhar a mulher ao longo da vida, da adolescência à menopausa: orientações sobre alimentação, atividade física, saúde sexual, vacinação contra o HPV, controle de peso e exames periódicos.

 

Mamografia não pode ser substituída pelo autoexame

Um dos principais alertas da mastologista é sobre a importância de não confiar exclusivamente no autoexame para avaliar a saúde das mamas. Embora conhecer o próprio corpo seja fundamental, essa prática não substitui os exames de imagem recomendados para o rastreamento. "Não há dúvidas de que seja importante que a gente se examine e conheça o nosso corpo, mas é fundamental entender que o autoexame não substitui a mamografia, porque ele não é suficiente para identificar todas as lesões. O autoexame é um exercício de autoconhecimento", alerta.

A mamografia, por sua vez, pode identificar lesões ainda não palpáveis, possibilitando a investigação em fases mais precoces. Por isso, mesmo quando a mulher não sente dor, não percebe nódulos ou não identifica alterações ao tocar as mamas, é fundamental manter os exames em dia. Para isso, as principais sociedades médicas recomendam o início do rastreamento mamográfico aos 40 anos, com periodicidade e acompanhamento definidos conforme as recomendações adotadas e também as características individuais de cada paciente.  "Mulheres com histórico familiar relevante ou outros fatores que indiquem risco aumentado podem precisar iniciar a investigação mais cedo", enfatiza.

            Dentro desse quadro preventivo, a realização da mamografia esbarra no desconforto e no receio da dor durante o exame – uma das razões pelas quais algumas mulheres adiam o procedimento. A compressão das mamas pode provocar sensação desagradável, especialmente em pacientes com maior sensibilidade mamária. No entanto, Raquel ressalta que a importância do procedimento deve prevalecer.  "Quando a gente entende que ela é o único exame capaz de reduzir a mortalidade pelo câncer de mama, acho que isso acaba tornando o exame um pouco mais tranquilo para a gente e a gente acaba sabendo a importância dele, desconsiderando um pouco o desconforto", afirma.

 

Estilos de vida saudável contribuem para a prevenção

As escolhas cotidianas também possuem papel crucial no cuidado da saúde como um todo – inclusive na incidência de câncer de mama.  Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e redução do consumo de bebidas alcoólicas estão entre os cuidados que contribuem para diminuir riscos e promover a saúde de forma geral. Ainda assim, cabe ressaltar que não existe um único hábito capaz de garantir a prevenção.  "Os fatores de risco são somatórios. A gente tenta reduzir todos os possíveis fatores para que, no final, tenha um ganho maior de redução de risco", explica Raquel.

Entre os pontos que merecem atenção, a mastologista destaca o consumo de álcool. "A gente sabe que não existe dose segura, qualquer dose, exposição, mesmo que pequena, ela já pode ter uma interferência e um aumento no risco para o câncer de mama. Então, o mundo ideal é quanto menos, melhor", afirma. A atividade física também tem papel importante, com uma recomendação de buscar  realizar 150 minutos de exercícios por semana, o equivalente a duas horas e meia. Caminhadas e outras atividades podem fazer parte da rotina, desde que haja regularidade e um momento dedicado à prática.

Na alimentação, a orientação é priorizar alimentos naturais e evitar o consumo excessivo de produtos industrializados, açúcar e gorduras. O controle do peso também merece atenção especial após a menopausa. "É importante a gente reforçar a manutenção do peso. A gente sabe que obesidade e sobrepeso por si só já aumentam o risco para mama, especialmente na paciente pós-menopausa", alerta a mastologista.

A médica lembra, ainda, que existem fatores que não podem ser modificados, como a idade da primeira menstruação, a idade da menopausa e o histórico genético. Essas informações, no entanto, são importantes para que o acompanhamento seja planejado de acordo com o perfil de cada mulher.

As ações da Liga, nesse contexto, são cruciais para a promoção de hábitos de conscientização na saúde feminina. "O câncer de mama é uma questão e saúde pública e de acesso à informação. Todas as ações executadas pela Liga de Combate ao Câncer, com palestras de conscientização e outras iniciativas trazem tanto apoio emocional quando ajuda para essas pacientes no momento mais importante: quando estão buscando uma rede de apoio ou precisando de suporte durante o tratamento", destaca a médica.

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