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172 mm em 48 horas: por que Bento Gonçalves ainda não vive uma situação como a de maio de 2024?

Maior acumulado de chuva desde a tragédia climática do ano passado coloca o município em alerta, mas especialistas apontam diferenças importantes em relação ao cenário que provocou grandes deslizamentos e enchentes.

  1. Publicado em 23/07/2026
172 mm em 48 horas: por que Bento Gonçalves ainda não vive uma situação como a de maio de 2024?

Bento Gonçalves voltou a viver dias de preocupação com a chuva. Em 48 horas, o município registrou 172 milímetros de precipitação, o maior acumulado desde as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. O volume mobilizou equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal e secretarias da Prefeitura, que intensificaram o monitoramento de áreas consideradas de risco.

Apesar do número expressivo, o cenário atual ainda apresenta diferenças importantes em relação ao evento extremo registrado no ano passado, quando a combinação de chuva persistente, solo completamente saturado e acumulados próximos ou superiores a 300 milímetros desencadeou uma série de deslizamentos de terra, bloqueios de rodovias e danos em diversos bairros e comunidades do interior.

O que mudou?

A principal diferença está no volume acumulado e na forma como a chuva ocorreu.

Embora 172 milímetros em apenas dois dias representem um índice muito elevado, o acumulado ainda está abaixo do registrado durante a tragédia de maio de 2024, quando algumas regiões do município ultrapassaram os 300 milímetros em poucos dias.

Além da quantidade de chuva, outro fator determinante foi a persistência da instabilidade. Em 2024, as precipitações se mantiveram por vários dias consecutivos, impedindo que o solo absorvesse ou drenasse a água. O resultado foi a saturação completa do terreno, aumentando drasticamente o risco de deslizamentos e desmoronamentos.

Neste episódio, embora o solo também esteja encharcado, a previsão meteorológica indica uma redução gradual da chuva nos próximos dias, o que pode favorecer a drenagem natural e diminuir o risco de novas ocorrências.

O solo continua sendo motivo de preocupação

Mesmo com um cenário menos severo do que o observado em 2024, a Defesa Civil alerta que o risco permanece elevado, principalmente em áreas de encosta.

Quando o solo atinge um alto nível de saturação, qualquer nova precipitação pode provocar movimentações de terra. Por isso, equipes seguem monitorando bairros e localidades como Zatt, Verona, Faria Lemos, Cohab e outras comunidades que historicamente apresentam maior vulnerabilidade.

Além disso, permanecem bloqueios em alguns trechos do município devido ao risco de queda de pedras e deslizamentos.

Investimentos reforçaram a resposta do município

Após os eventos de maio de 2024, Bento Gonçalves ampliou os protocolos de resposta para situações de emergência. O monitoramento das áreas de risco passou a ser mais frequente, os sistemas de alerta foram reforçados e a integração entre Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal e demais órgãos municipais foi intensificada.

Essas medidas permitem uma atuação mais rápida diante de ocorrências, com interdições preventivas, acompanhamento constante das áreas mais sensíveis e comunicação mais ágil com a população.

População deve manter a atenção

Embora não haja, até o momento, um cenário semelhante ao de maio de 2024, os especialistas reforçam que o momento exige cautela.

Moradores que vivem próximos a encostas ou áreas de risco devem observar sinais como rachaduras em muros e terrenos, inclinação de árvores ou postes, surgimento de trincas e água escorrendo de barrancos de forma incomum. Caso qualquer um desses indícios seja identificado, a recomendação é deixar o local imediatamente e acionar a Defesa Civil.

Também é importante respeitar as interdições de vias e evitar deslocamentos desnecessários durante períodos de chuva intensa.

A expectativa é de melhora

Os modelos meteorológicos apontam que a instabilidade deve perder força gradualmente, com redução da chuva e retorno do tempo mais firme ao longo dos próximos dias. A entrada de uma massa de ar mais frio e seco deve favorecer a diminuição dos riscos e permitir uma avaliação mais detalhada das áreas afetadas.

Ainda assim, a orientação é que a população continue acompanhando os boletins oficiais e mantenha atenção enquanto o solo permanecer saturado.

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